Hipoteticamente, suponha duas pessoas, por
exemplo um casal buscando um meio de dar continuidade ao casamento.
Ambos trazem opiniões divergentes.
Na divergência a negociação factível acontece quando as partes aceitam perder alguma
vantagem em troca de outra.
E se essas trocas são inviáveis face à total diferença de posturas?
Neste caso um acordo pode ocorrer como mera estratégia para se ganhar tempo,
porque não existe meio de troca, porém aceitam a competição que o tempo extra proporciona
para tirarem vantagens pessoais.
Esse exemplo lembra a base da relação entre
USA/Israel com Irã/Hezbollah e outros partidos radicais lutando pela hegemonia
própria.
Se a premissa básica começa ao se adotar um Deus que condena à morte aqueles
que não o seguem, um Deus assim não é realmente um Deus cujo amor busca a
solução, mas cuja intransigência procura a submissão.
Fica claro que a religião humana ainda espelha mais a sua própria natureza que
os princípios mais avançados que não logra alcançar.
Enquanto Israel luta com o radicalismo
interno, acrescentado de momentos infelizes de desrespeito ao cristianismo, e
portanto ao próximo, o mesmo ocorre do outro lado quando parte do mundo
islâmico ainda vive os ideais obsoletos de um tempo de cruzadas, enquanto os
líderes mundiais iniciam a corrida armamentista diante da premissa que as
negociações assumem, onde o poder bélico e opressivo se torna o argumento
majoritário na decisão dos caminhos de negociação.
Tais correntes naturais de autodefesa apenas corroboram os caminhos seguidos
por autocratas que se firmaram nas conquistas bélicas que lhes garantam algum
poder de barganha na mesa de negociação da independência nacional que busca a
supremacia de seus ideais sobre outros.
É o caso da Coréia do Norte inspirando o
Irã.
É o caso da China sobre o Mar da China e Taiwan inspirando os EUA a tomar posse
da Groelândia, México e Canadá.
A corrida armamentista deu largada a passos largos.
Busca-se conter a guerra se tornando um guerreiro à altura de outros como forma
de intimidar as pretensões belicosas alheias.
Putin com seu sonho “imperial” jogou combustível na fogueira da incerteza geral
quando concretizou sonhos expansionistas que se tornaram um pesadelo mundial,
inclusive para seu autor.
Se as divergências são incompatíveis, não existe espaço para negociações
duradouras.
O tempo torna-se a ampulheta cuja areia é o contingente armamentista que busca
preencher o espaço da certeza de poder superar as eventuais ameaças.
Infelizmente esta ampulheta é feita de um material tão elástico quanto a variedade
de interesses, e os bulbos parecem oferecer oportunidade infinita para que a
areia escorra sem solução de término, enquanto o peso da mesma sufoca a
economia e o equilíbrio ambiental.
Isso só terá fim quando as lideranças mundiais começarem pelo exemplo do
respeito territorial, ideológico e climático, concomitante à percepção que uma
guerra tão longamente preparada levará à vitória inútil e fugaz sobre uma
destruição tão ampla, que o vencedor terá pouco para usufruir, exceto o crime
organizado.
Enquanto o radicalismo e a euforia da ambição e do orgulho forem os meios
mundiais de solução, cuja pretensa razão apenas acresce o sangue que rola
inútil de um sonho cujo futuro vira pesadelo, o mundo continuará sua corrida
para o suicídio global, indefinidamente.
E o povo tem uma grande participação nesse processo de radicalismo crescente, e
certamente será o mais penalizado por ele.
A cada ação, corresponde uma reação.
Essa lei não falha.
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