1° Edição, Sem revisão
À medida que as notícias vão surgindo, somos levados naturalmente a pensar sobre o seu provável desfecho e a influência delas no futuro. É um pensamento instintivo de autoproteção, traduzido pela necessidade do sentimento de segurança e continuidade.
No período medieval houve uma retração da
vida social, mediante a necessidade de proteção contra invasões, onde os feudos
viam em seus castelos os abrigos seguros através de suas muralhas. O nobre — o senhor feudal
—, ou o rei que detinha os meios, tornou-se a figura central de poder.
Viajar
era arriscado e as rotas comerciais enfrentavam dificuldades, levando a
sociedade a um retrocesso marcado pela estratificação social, que se
concretizava não só pela relevância da classe social, como também pelo isolamento
cultural decorrente dessa conjuntura.
O período medieval é sucedido pelo renascimento lá pelos séculos XIV e XVI, onde
a cultura e a arte florescem, um movimento contrário ao encasulamento anterior favorecendo o comércio, onde o foco do poder vai se
alternando do modelo estático de classes para o dinamismo das oportunidades que
surgiam de construir fortunas pela habilidade própria.
Com a idade moderna vieram as transformações que permitiram a transição do feudalismo ao capitalismo, subsidiando a idade contemporânea com a sua revolução industrial em que as máquinas vão
substituindo o labor braçal de várias atividades, e os avanços sociaias e tecnológicos que modelam os dias atuais.
Através dessa sinopse, vamos percebendo como a sociedade flui pelas mãos da
economia traduzida pela sobrevivência cujos meios vão se renovando.
No passado, o vapor, e hoje os efeitos da tecnologia da informação(TI) que foram transformando nossos
mundos, criando novos hábitos e recriando outros.
Por que recriando?
No primeiro momento em que a comunicação deixou de ser barreira, a sua expansão
parecia favorecer a interação de forma irreversível. À medida que a novidade cedeu
aos hábitos das novas gerações que já nasceram favorecidas pelas amplas
possibilidades interativas em vários formatos e propósitos, o convívio social tradicional começa
a perder parte do seu tempo ao convívio social digital.
Começamos a ver grupos de pessoas que, embora estejam juntas fisicamente,
estão absortas em seus próprios celulares. Casais que saem para um jantar a
dois, e que termina a quatro — duas pessoas e dois celulares.
O isolamento social é reflexo da nossa individualidade que não encontra
compatibilidade perfeita de interesses, e de certa forma, retornamos aos nossos
“castelos” que protegem o nosso bem estar do tédio ou das invasões externas.
Elon Musk ao considerar abrir o capital da SpaceX por meio de uma IPO,
sinaliza um momento importante quando vemos o maior capital privado do mundo buscar apoio externo.
O fenômeno é fruto da complexidade crescente que se acumula em todas as etapas
do processo humano. Estamos nos tornando sofisticados demais para que processos
individuais sejam suficientes.
A globalização avançou impulsionando o agrupamento de corporações comerciais,
seja pela compra ou por associações, abrindo caminho para a intensificação de
venda e troca de tecnologias sustentadas através de complexa rede de ligações
político-econômicas.
"A era da iniciativa privada ---> Globalização ---> Era da iniciativa
coorporativa globalizada."
A complexidade dos processos produtivos, que em troca oferece simplicidade às
tarefas e amplia os limites das nossas conquistas, vai alterando o modelo de
economia lentamente, comprometendo o futuro dos negócios que privilegiam apenas
um dono.
Essa mesma complexidade que favorece novas alternativas de táticas militares,
vai paulatinamente modificando a percepção humana que entendia a guerra como um modelo de
solução final quando não havia compatibilização.
Nossas guerras, longas ou não, ofereciam a possibilidade de términos com vencedores
bem definidos, impondo seus desejos sobre os derrotados.
Quando a defasagem econômica entre as nações começou a impulsionar o aperfeiçoamento
de táticas militares que compensassem essa diferença de poder consolidado pela
supremacia bélica numérica, a guerrilha renasceu e recrudesceu através dos
meios tecnológicos que começam a transformar as fronteiras de vitória em
demarcações imprecisas, cujo longo termo de uma paz conquistada à força vai se tornando improvável.
Temos vários exemplos nos múltiplos conflitos atuais, onde a força militar
convencional traz seus resultados de destruição sem conseguir efetivamente
eliminar o seu inimigo.
Vergonha e constrangimentos vão se empilhando a essas potências consideradas potentes pela visão de um modelo anterior em seu ocaso.
Esse panorama é extremamente favorável pelo sentido que sugere um futuro que começa a
ser vivido no presente obrigando à remodelagem do pensamento humano.
Concentrações econômicas nascidas do poder lobista sobre os interesses
coletivos, que vão se somado às sociedades democráticas que migram por vontade própria traduzida pelas vitórias das urnas, manifestando a preferência por gestões mais fortes e centralizadas, conflitam com a crescente malha
de relações políticas e econômicas, onde a solução bélica vai sendo substituída
por complexas punições econômicas, cujos reflexos trazem efeitos
contrários aos próprios interesses daqueles que as aplicam.
É possível deduzir que o “efeito borboleta” — onde até o bater de suas asas pode gerar em algum efeito de mudança — torna-se uma bela figura de
linguagem para algo que vai sendo exponencializado pelo aumento dessas interações
sócio-político-econômicas que fortalecem as ligações globais imersas em complexa malha de interesses, onde a incompatibilidade de parte dessa teia
enfraquece o seu todo.
Embora atolados de armas atômicas, tememos o seu uso, transformando-as apenas
na advertência que uma nação maior não possa subjugar uma menor que a detenha sem graves consequências recíprocas, ou inibir seus
interesses, quando também tais interesses passam a ser questionados globalmente como
legítimos ou exequíveis, gerando um embate de forças insustentável, volúvel e volátil.
O mundo caminha paulatinamente para dois caminhos exclusivos:
A autodestruição ou a mediação globalizada.
A força bruta começa a perder seu espaço à sagacidade pela percepção de seus
limites.
Isso é visível nas vitórias voláteis que só deixam rastros de ódio e destruição
sem de fato trazer solução duradoura.
Acredito que uma nova era possa estar nascendo alimentada pelas contingências
de um equilíbrio imposto pelas circunstâncias, quando a arrogância prepotente cede ao instinto
de sobrevivência que vai crescendo na percepção que as soluções de eras passadas agonizam pela subnutrição de resultados efetivos cujos custos lhes emprestem sentido.
Àqueles que não aceitam a existência de Deus, provavelmente reconhecem que a natureza tem uma forma próprio de autoregulação.
Àqueles outros que acreditam em Deus, sabem que Ele escreve certo por linhas tortas.
Seja como for, "natureza" ou "Deus", somos filhos de seus atributos geradores da vida, e que de tão superiores à nossa inteligência também não são passíveis de compreensão, e portanto as nossas concepções, por melhores que sejam, são encharcadas da nossa própria humanidade, vivendo mais pela crença sustentada por nosso sentido de intuição que propriamente pela razão.
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