1° Edição, 1° revisão
Recebemos a notícia que Trump invadiu a Venezuela, capturou seu presidente
Maduro e esposa.
Trump tomou essa ação mediante inúmeros
pretextos, desde narcotráfico a desvio de petróleo. Se estiver curioso, pode
começar por aqui, que embora o link direcione para uma página em inglês, você
pode traduzir pelo navegador.
Em operação militar similar, EUA também invadiram
o Iraq em 2003, capturando Saddam Hussein.
As principais alegações estadunidenses para o ataque ao Iraque eram:
- posse de programas ativos de armas de destruição em massa (ADM)
- ligações operacionais com a Al-Qaeda
Tais alegações não foram confirmadas
posteriormente.
Buscas extensivas realizadas pelo Grupo de Pesquisa do Iraque não encontraram
estoques de armas químicas, biológicas ou nucleares, nem evidências de
programas de produção em andamento desde a década de 1990.
Justificam o erro como falha do serviço de inteligência.
Os relatórios de inteligência dos EUA,
incluindo conclusões da CIA e do Senado, também confirmaram que não existia
relação de colaboração ou parceria operacional entre o regime de Saddam e a
Al-Qaeda, apesar de exageros de medias confiáveis, o que demonstra que nem elas
são tão confiáveis assim!!!
As invasões estadunidenses são inúmeras, seguidas de suas inúmeras
justificativas.
O tempo passou e veio o repeteco de Trump na presidência.
A diferença entre o passado e o presente é que a máscara caiu e hoje as coisas no governo Trump estão acontecendo conforme seu estilo: rough! (duro)
Os anos, tal como um rio caudaloso de experiências, foram construindo uma percepção mais independente, onde cruzar informações e aguardar o tempo como meio de distinguir o joio do trigo, tornou-me mais crítico e menos partidário, seja qual for o regime.
Todos eles, democráticos ou não, buscam
prevalecer seus interesses por meio de notícias manipuladas.
Quando vemos países na disputa pela corrida dos armamentos nucleares, torcemos
o nariz com toda a razão.
Infelizmente, contudo, tais países têm sua parcela de razão prática, não pelo
prisma utópico dos nossos princípios de sobrevivência, mas por aqueles outros
de autodefesa.
Se a autodefesa é lícita para o cidadão, então para um país também, inclusive aqueles regidos por déspotas.
Mas como fica situação se o déspota joga pesado?!
Se a Venezuela fosse uma Coreia do Norte, Trump não teria tomado tal ação.
Fica difícil negar a ilicitude da corrida armamentista nuclear.
Não fica não?
Por outro lado, considerando a hipótese que justifica o ataque à Venezuela seja
consubstanciado pela realidade que só o tempo garante, tais medidas fazem
sentido.
A percepção que sobra é que um erro parece justificar outro.
Ou seja, que um erro realmente justifica o conserto de outro.
Diante do maremoto de erros que a humanidade gera diariamente, o julgamento de
suas correções acaba meramente uma perspectiva de cunho pessoal, porque se um
erro não justifica outro, então um país teria o direito de invadir com ópio
outro país sem ter sua soberania ameaçada?
E se pode invadir com ópio, pode invadir com muitos outros agentes
desagregadores da estrutura social, tal como “Fake News”, etc.
Se um país promover a deterioração social
de outro por meio de massiva campanha de “Fake News”, justificaria ser invadido
por outro?
É claro, que tudo isso acontece desde que não haja o impasse da
destruição recíproca por meios atômicos.
Então todos precisariam ter armas nucleares para se defender?
Outras perspectiva interessantes podem ser levantadas, mas vou escolher apenas uma, por questão de espaço.
A máquina estadunidense depende de pesada infraestrutura de autodefesa.
Ela traz um peso enorme para as contas dos EUA, que aliás, não estão fechando.
Então, por que não usar tal máquina a favor do lucro?
Ao menos ela se pagaria...
Talvez seja esse o raciocínio de Trump.
Trump segue um padrão muito simples e predizível de ação.
Ele primeiro encontra um subterfúgio para justificar suas ações.
Se o subterfúgio encontra eco, ele decola na ação.
Faz isso por meio dos canais de divulgação clássicos ou através do seu próprio canal de media, o "Trust Social". O nome do canal já diz tudo: "Confiança social".
Dispensa comentários... :-)
A Venezuela é fraca, não detém aliados fortes e Maduro semeou ótimos subterfúgios ao longo do tempo para minar seu próprio governo alimentado a propinas, comprando tudo e todos.
A ambição é algo sem limites, e após um tempo, quando o potinho de ouro vai secando pelo excesso de consumo, a solução acaba sendo os negócios mais lucrativos.
Existe negócio mais lucrativo que o ilícito???
Mas será mesmo, apesar de fazer todo sentido???
Complicado querer julgar do lado de fora de uma malha de horrores que a alta cúpula mundial comunga.
Uma das justificativas de Trump para o sequestro de Maduro, desaparece com o mesmo truque de mágica "trumpense" com que apareceu:
Departamento de Justiça dos EUA retira alegação de que o Cartel de los Soles da Venezuela é um grupo real
A coisa começa a ficar descarada.
O fato é que Trump precisa fechar as contas estadunidenses, pagar a altíssima conta da imensa infraestrutura militar que sustenta a segurança de seu país, já que tem inimigos ferozes espalhados por todo mundo, aliás em número crescente.
Então a solução mais óbvia é usá-la para promover lucro.
Hoje foi Venezuela.
Na mira vem Groenlândia, etc.
A OTAN não é lucrativa para os EUA na concepção Trumpista.
De um lado faz sentido que os EUA busquem seus interesses.
Os "aliados" se acomodaram na atitude paternalista de décadas.
Era interessante para eles.
Neste aspecto, os EUA "deram mole".
A visão mais pragmática de Trump, lembra outro grande império que desapareceu, mas seguia o mesmo modelo que parece Trump querer impor aos EUA, e tinha coincidentemente o mesmo símbolo: uma águia.
A águia de Roma revive o vôo através de seu parente, a águia americana, e olha que nem é Fênix!
E assim, os EUA vão destruindo décadas de política internacional, que a bem-dizer, realmente não eram boas. Eram o extremo do lado oposto de hoje, levando o país a uma decadência social interna visível.
Trump administration withdraws from dozens of international organisations - France 24
Conclusão, leitor:
Toda águia que voa muito, acaba aumentando sua chance de ser abatida, lembrando que águias são solitárias, o mesmo tipo de vôo que Trump parece fazer à medida que vai perdendo aliados, trocando-os por submissões militares ou econômicas.
O mundo perdeu o lado bom que não soube dosar com pragmatismo, e corre desesperado pelo lado oposto que leva à pilhagem e ao isolacionismo.
O mundo precisa do lado bom dos EUA sem os excessos idealistas de outrora, nem os radicalismos econômicos do hoje.