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Nesta publicação, busca-se ampliar o pensamento da anterior que foi concluída com o seguinte pensamento:
Não é o regime de governança que faz diferença, mas a natureza do Homem.
Eu fiz menção ao presidente, e não ao país, porque o mesmo está dividido pela metade, o que nos leva a entender que as ações presidenciais estadunidenses não refletem um consenso popular, necessariamente.
Lendo a notícia, lembrei-me imediatamente da guerra do Vietnã e do Afeganistão travada pelos EUA com esses países. Os EUA perderam ambas.
Você consegue lembrar de um fator decisivo na derrota estadunidense?
Crença, fé, paixão.
Esses sentimentos definem a natureza de um Homem e a sua força.
Por mais rica, avançada e protegida sob o escudo da tecnologia, nenhuma nação vinga vitória permanente se contraria a índole do povo que busca submeter pelas armas, quando existem esses elementos.
Os EUA, na totalidade, ainda não compreenderam isso!
Apesar de amargas derrotas, ainda insistem em estratégias superadas.
No Vietnã e no Afeganistão, a corrupção dizimou os esforços dos EUA em sustentar um regime político menos radical. A corrupção faz parte da natureza Humana, uma paixão movida pela cobiça, que sabota as melhores intenções.
Mesmo que, eventualmente, os atuais protagonistas do governo iraniano fossem substituídos, quais seriam as chances de se acabar trocando seis por meia-dúzia a médio e longo prazo?
Ou seja, novos nomes com velhas práticas.
Se de um lado, grande parte do oriente vive sob a ditadura do fanatismo teocrático, do outro lado no ocidente, muitos que se dizem defensores da liberdade e dos direitos humanos, vivem sob a ditadura do capital.
Surging billionaire wealth leads to ‘dangerous’ political risks, Oxfam warns as Davos forum opens - France 24
(A crescente riqueza dos bilionários acarreta riscos políticos "perigosos", alerta a Oxfam na abertura do fórum de Davos.)
Se os EUA começassem a corrigir suas próprias distorções internas, talvez essa luta externa apresentasse uma autenticidade mais significativa através do próprio exemplo interno.
O ex-presidente Obama tentou melhorar o serviço público de assistência médica popular através do programa "Obamacare", agora desassistido pelo governo Trump.
Trump fez o mesmo com muitas outras iniciativas do gênero.
Se você é pobre nos EUA, fica muito difícil conseguir uma graduação de nível superior.
O acesso à educação nos EUA é cara, logo não é para todos.
Percebemos duas abordagens de governança, sendo uma pelo fanatismo teocrático, e a outra pelo fanatismo do capital.
Quais as suas chances de agir como um estadunidense se você tivesse nascido e vivido nos EUA?
E se você tivesse nascido no Irã? Não estaria agindo como eles?
Cultura herdada socialmente é como uma lavagem cerebral comunitária.
Se você é brasileiro, pode optar livremente entre várias religiões
E se você nascer numa região onde uma única prevalece como a verdade, e qualquer outra como uma blasfêmia?
Cultura cívica é lavagem cerebral, onde aprendemos a nos comportar como a maioria, a amar o que essa maioria ama. E você faz tudo isso sem ao menos perceber, simplesmente levado pela sua natureza gregária.
Se alguém ameaçar seus valores que, aliás, não são autenticamente seus, você "declara estado de guerra". E você estará pronto a entregar a vida para defender valores que nem pôde escolher, porque simplesmente você os entende como naturais.
Loucura, não é?
Então sobra a pergunta: O que somos de verdade, no que diz respeito à nossa natureza Humana?
Se a cultura é uma lavagem cerebral comunitária, a diferença vem da índole de cada um, que pode ser reforçada por essa cultura, ou não.
Se você é agressivo, certamente qualquer religião ou grupo religioso que lhe ofereça vantagens coerentes com a sua índole, vai constituir o que você chamará de "Fé" para justificar seus atos, por piores que sejam.
EUA e Brasil são dois países continentais com grande uniformidade cultural, apesar das diferenças regionais, o que torna o entendimento dos princípios básicos comportamentais do ser humano mais fácil de entender.
Vamos transpor para um contexto mais amplo e complexo: o Oriente.
Calcula-se que as diferenças de idiomas utilizados no Oriente seja por volta de sete mil (7.000).
Dependendo das fontes, esse número vai variar, porém o que importa é que está na casa dos milhares.
Nos EUA prevalecem o inglês e o espanhol.
No Brasil o português e o espanhol, sem considerar o inglês que é uma necessidade comercial.
No oriente, o árabe é a língua mais difundida, porém diversifica-se em dúzias de dialetos.
Por outro lado, temos Farsi, Dari, Tajik, Turco, Urdu, etc.
O Irã é um país de origem persa.
É considerado a Pérsia de outrora, e constitui uma civilização milenar.
EUA e Brasil são países recentes quando comparados com tais civilizações.
O efeito da herança cultural é amplificado pelo tempo da tradição que ele carrega.
Ou seja, o "efeito de lavagem cerebral cultural" submete completamente a identidade pessoal à coletiva.
Concomitantemente, a multiplicidade de idiomas dificulta processos de hegemonia cultural, aumentando ainda mais o sentido de união pela ponte teocrática.
Trocando em miúdos, pessoas com idiomas diferentes acabam unidas pela mesma fé.
O indivíduo nem sabe disso, como também nós não pensamos que o nosso "arroz com feijão" deva ser substituído por "Chelo Kebab".
Pensar em mudar a tradição do pensamento cultural de um país com bombas é tão impróprio como tratar um paciente com anemia profunda fazendo uso da drenagem de seu sangue por meio de sanguessugas para "extrair o sangue ruim" a título de limpá-lo, conforme a velha prática de uma técnica médica anciã.
Os políticos nestes processos são as sanguessugas promovidas pela concepção ultrapassada de tratar problemas sociais. Enquanto as sanguessugas engordam, o paciente agrava a sua anemia graças ao "médico" que pensa curá-lo.
Até aqui, pode-se pensar que a herança cultural seja um mal.
Completo equívoco.
O antibiótico cura, mas leva o preço dos seus efeitos colaterais.
Herança cultural de um povo é fundamental.
Ela dá o senso de se pertencer a algo, um sentimento fundamental que define a natureza gregária do ser humano.
A herança é o patrimônio que nos permite iniciar a vida com uma noção de sentido.
Sem cultura, ficamos sem passado, perdemos a referência e o sentimento de estarmos perdido é profundamente desagregador.
Se um país não investe em educação e saúde, então investe em um futuro que fica à deriva.
Um ser humano à deriva da sociedade, acaba nas drogas, no crime, ou em algo pior.
E o pior é um indivíduo sem noção de pertencer a algo, desprovido da convicção que opera os milagres de vitória que superam os poderes bélicos e engordam as filas de traidores, espiões duplos, etc.
Se o texto parece ora te jogar para um lado, ora para outro, foi intencional.
Através desse processo somos levados a pensar por perspectivas diferentes, o que constitui o melhor caminho para o crescimento subsidiado na razão amparado pela índole.
Observe que a índole poder ser boa ou má, levando aos resultados onde o livre-arbítrio assume o papel de educador pelas consequências das opções feitas.
Eu acredito que quando apresentamos um problema, temos o dever de apresentar uma sugestão de solução, do contrário fica parecendo com o político que angaria votos apenas apontando o dedo para os erros da oposição.
O caminho da solução começa pela construção das pontes de aproximação cultural formadas naturalmente através da iniciativa espontânea da sociedade.
É por isso que regimes absurdamente retrógrados restringem a comunicação com o mundo, seja pela Internet, ou através da música, da literatura, etc.
Neste momento conturbado, o Irã cortou o acesso à Internet e Musk ofereceu alternativa grátis.
É uma guerra cultural travada de forma mais decente.
Na Coreia do Norte, o governo pode lhe condenar à morte se estiver assistindo filmes ou ouvindo músicas ocidentais.
O Talibã proíbe escolas às mulheres, como também às vezes fecham as escolas para todos, porque assim, o indivíduo desprovido de várias opiniões vira presa fácil de lavagem cerebral cultural por falta de opção.
Bombas e intervenções bombásticas têm efeitos adversos trágicos.
Qualquer morte de origem acidental servirá para transformar a opinião pública num grande inimigo pelas mãos das armadilhas verbais, das inverdades pelas verdades incompletas, pelo manejo sagaz da oratória conduzindo o sentimento de uma razão equivocada e pobre, pelas mãos políticas a serviços de seus próprios interesses.
A solução pacífica e duradoura pode vir pela aproximação cultural espontânea com base em meia dúzia de princípios divulgados pelo rabi de Nazaré.
Precisamos da herança cultural que nos serve de lavagem cerebral enquanto não podemos pensar por nós mesmos, e somente o empenho espontâneo em estender a sua compreensão através da expansão dessa percepção herdada, é que pode trazer alguma paz na tão conturbada alma humana nos estertores de seu aprendizado de autoconhecimento.
E isso, só começa quando soubermos entender que a nossa "casa" termina na cerca que a separa daquela do vizinho, enquanto ambos trafeguem entre elas pela troca volitiva genuína que agregue valores sem o fantasma da submissão sob o manto da ameaça.
Disso conclui-se que, qualquer reação tempestiva por diferença de opiniões, por mais que nos magoem, humilhem ou nos ofendam, apenas reforçam a intransigência que sustenta as guerras por meios bélicos.
A verdade é que a solução nasce em cada um de nós, em nossos pequenos atos que formam o comportamento coletivo.
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