janeiro 23, 2026

A Armadilha da Vingança


1° Edição,  revisão




Corrigindo ou Penalizando?

Quem não passou pelas mãos sufocantes da vingança?!!

A grande maioria já viveu nas garras daquele pensamento obsessivo que não quer dar lugar a mais nada, exceto o desejo de revidar, seja dando uma lição, ou causando a mesma dor àqueles que nos feriram.

As justificativas que alimentam o sentimento negro em que mergulhamos são muitas.

Orgulho machucado, que exige reparação da dignidade a pedir respeito.

Medo que a ofensa ou penalidade se repita, precipitando-nos na sensação de impotência e fragilidade.

Ou ainda, aquela velha desculpa do "educador" que vê a necessidade de mudar o comportamento daquele que lhe infligiu a dor através da mesma dor.

O pior dos casos, o complexo de ditador que busca submeter aqueles que não se submeteram aos nossos desejos, seja por ideias ou ações. Um dos mais comuns sentimentos na disputa pelo poder.

Seja qual for a justificativa que alimenta a vingança, ficamos presos em planos de elaboração e contramedidas. Enquanto impotentes, ruminamos o momento de fraqueza onde nasce a oportunidade de satisfazer esse desejo incontido que tira a nossa paz, e que supomos nos aliviar tão logo possamos executar a resposta que julgamos merecida à altura da intensidade dos nossos sentimentos.

Esse sentimento é tão onipresente, que grande parte da produção cinematográfica baseia-se em vingança, algumas vezes sob o título de "o justiceiro".
Assistimos a esses filmes sem nos dar conta de seus efeitos em nosso psiquê, e sentimos prazer! :-(


A Armadilha

O sentimento de vingança é uma armadilha autoimposta.
Ele consome parcela do seu tempo proporcionalmente à intensidade do sentimento preso nessa armadilha própria.


O Efeito Acumulativo

Enquanto uma pessoa, parece algo controlável.
O problema é que mesmo que tenhamos nos liberado da armadilha pela chave da vingança, ainda assim, ficamos sujeitos às reincidências, ou pior, a outros casos diferentes ou parecidos com pessoas diferentes.

O indivíduo passará a vida preso na própria cadeia de vingança, ora gerado por alguém, ora por outro, ora por muitos.

A vingança é o pior cárcere porque nos encerramos nele por vontade própria.


Coragem e Sensatez

Requer muita coragem para julgarmos nossas parcelas de erros nestas ocasiões com a sinceridade suficiente para evitarmos transformar alguém em "bode expiatório".

Exige muita convicção em nossos princípios religiosos ou filosóficos quando eles desaconselham a vingança, deixando nas mãos de Deus, se acreditamos em um. É uma prova de fé!

O melhor disso tudo é que afastando esses desejos de vingança, ou de consertar o mundo, vivemos livres e mais leves. A nossa percepção fica mais apurada, já que não está subjugada sob um viés cristalizado.

A situação fica mais melindrosa quando existe a possibilidade de reincidência daquilo que gera os sentimentos de vingança.

Por exemplo, no relacionamento humano, o acúmulo de pequenos perdões que, na verdade, não são perdões, mas algo que colocamos na "espera", enquanto existem vantagens maiores. Tão logo a quota de tolerância estoura, o processo de retaliação inicia.

O desafio é separar o desejo de vingança da necessidade de se proteger, contudo, sem o açoite do sentimento descontrolado do revide que se arvora como solução para disfarçadamente contentar nossos baixos sentimentos.

Autoproteção é um direito e uma necessidade, mas a disputa com vingança não veste a máscara da corretitude.

A autoproteção termina onde começa a vingança, porque esta sempre aumenta a dor a médio ou longo prazo.

A distinção entre uma e outra vem do exame dos nossos sentimentos.
Existe algum sentimento de ressentimento?
Se existe, então muito provavelmente a fórmula de solução está contaminada pelo sentimento de vingança.


O equilíbrio viaja livre na rota da luz pelas asas da consciência que transcende o amor-próprio, porque cresceu em humildade, a última e a maior das conquistas.



NOTA DO AUTOR:

"A humildade é a última e a maior das conquistas."

Esta frase original é atribuída ao mentor espiritual de meu pai, o índio "Guaiatã", como assim ele me contou quando foi guiado nos seus primeiros passos durante o aprendizado da "cartilha" do "Espiritismo com Kardec", hoje comumente denominado simplesmente por "kardecismo", embora Allan Kardec 
(Hippolyte Léon Denizard Rivail) nunca tenha se proposto a criar uma religião, mas apenas a compilar suas observações dos efeitos sobrenaturais que ocorriam em Paris (França) em meados dos século XIX, quando o fenômeno das mesas girantes assombravam o mundo. Se quiser conhecer mais sobre Kardec de uma forma divertida, assista ao filme.

O autor, embora abrace a base Kardecista, não descarta a busca da verdade em qualquer lugar.


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